quarta-feira, 23 de março de 2011

Fome? Acho que vou mesmo à cozinha. O gato? Não aparece. Está vento. Nuvens a Norte, lua descoberta a Sul. É bom tempo para estar cá fora. Será que anda alguém? Alguém sim, não necessariamente a fazer o mesmo, aliás duvido seriamente disso.
Água quente saco de chá colherada de açúcar. São duas e cinco da manhã, o ponteiro dos segundos ouve-se bem. Devia fazer menos barulho.
Bolacha mergulhada em queijo. Uma. Duas. Três. Quatro. Cinco. Seis. Um golo, queima. São duas e quinze, não sei. Se me puser a ver um filme é uma hora mais uma outra meia hora. Não sei. Merda do gato.
Vem sempre a mesma quantidade de queijo nas bolachas, se eu barrasse ia poupar mais ou é igual? Será da superfície? É áspera deve ter fendas e aberturas pequenas. É por isso que se agarra sempre o mesmo. Uma bolacha.
O chá é amarelo. A cor não existe. Será que existe? Não acho que exista, não é matéria. Mas tem a ver com a absorção de luz. Está a ficar frio. Tenho de acabá-lo.
Bicho! Bicho! Nada. Fica aqui leite, bebes se quiseres, se não quiseres vai cagar. Esta porta faz uma barulheira.
Devia acordar cedo.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ao fazer uma coisa que já fiz numa outra altura e num incontável número de vezes, penso: sei fazer isto. Mas e se não souber? Acontece-me não saber por vezes.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Nem tudo passa por conseguir o que queremos. Eu quero muito, demais até, ninguém me diz que vou conseguir. Não é indefinição, ou indecisão. É a ausência de certezas absolutas. Confirma-se.
Há pelo menos uma certeza, no meio deste vazio de concretização, a certeza de querer. E parecendo que não, é o suficiente para se esquecerem as outras incertezas e avançar cegamente num escuro que ou te leva a uma porta ou te leva a uma parede. Não saber, é que te motiva e desmotiva. Às vezes dou por mim a pensar qual das duas sinto, e gosto de acreditar que estou motivado. Mas caio em mim e vejo que ninguém me deu razões para haver motivação. Provavelmente estou a imaginar coisas ou esqueci-me dos óculos. Provavelmente já nem sei lidar com qualquer uma das duas saídas. Já sinto o chão húmido do fundo, vim descalço. Porque não tinha certezas.
Ainda assim fazes-me bem, mesmo sem certezas.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Níveis de consciência difíceis de atingir, é tudo o que faz parte da minha lista de bolso. É como se por mais que tente sair do buraco, não consiga, quem é que me está a puxar? Eu sei. E quero que te fodas. Mas não.
Eu não consigo, portanto, não. Como é que o seguinte se complica? Se ao menos se tornasse tudo claro como me apraz escrever na minha lista. Mas não. Eu não preciso disto nem daquilo, preciso de alguma coisa da qual possa ter consciência e ver claramente, com nitidez e tudo, sem coçar o olho esquerdo e ficar irritado.

sábado, 13 de novembro de 2010

Podias ter dito que tudo o que eras um só doce. Um só.
Não há tempo suficiente para um só. Não há paciência para um só. Não vejo como manter um só vivo.
Desfaz-se de repente por entre a língua e uma torrente de saliva. Sabes as torneiras automáticas? Exactamente assim. E cresce cada vez mais a quantidade, porque apetece. A tentação de mastigar é tanta que é impossível guardar esse um só, um só doce e saborear.
Agora pensas que não devias ter feito isso. Porque não durou. Mas o sabor fica e imaginas onde é que estarão os demais? Um doce nunca vem só. Mas não vais ver mais nenhum, como este que é um só assim desta maneira.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ás vezes gostava de escrever tudo a vermelho. Porque não gosto de perturbar a minha calma com a inquietude dos outros.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

entre esperas

Entre esperas se perde o sentido da espera. Perde-se a vontade de esperar, se é que há algo para esperar por. Silêncios e inércia ganham forma e apresentam-se como imperativos na espera. Porque uma espera também é feita de critérios, ou não? O que esperar, por quanto tempo e onde?
Acho que esperar vale a pena, mas eu acreditar nisto não significa nada, não significa que as minhas esperas tenham valido a pena. Canso-me de ser eu a esperar, quando num pensamento vago durante um vago dia - serei eu limitado ou o mundo é algum cavalo com rédeas e palas para seguir só numa direcção ditada por não sei quem? Sou vago e não sei bem quais as minhas limitações, sim, acho que é o que me torna uma pessoa. O amanhã é inesperado e eu vou ser previsível? Não creio que valha tão pouco. Esperem.
Acabo já? Não acabo? Já nem sei como comecei. Mas vou então esperar sentado.